terça-feira, fevereiro 14

hoje sou bronquíolos, coração e sangue...


Escrevo com as palavras gastas: gastas pelo tempo e por todos aqueles que as escreveram antes de mim. Poetas, prosistas, dramaturgos... e as outras personagens por eles inventadas. Assim, posso, tão somente, dar-lhes um novo sentido ao revirá-las do avesso e expô-las por dentro, no seu sentido mais visceral.
Sempre escrevo o que vejo, hoje engoli os meus olhos e vejo-me mais adentro: onde bate o coração, inspiram e expiram os bonquíolos; onde o ar se transforma em sangue e onde o sangue alimenta cada célula ... hoje sou mais feio, mas mais verdadeiro.

5 Comments:

At quinta-feira, 16 fevereiro, 2006, Anonymous Mário said...

Gosto, gosto, gosto!
Um título aparentemente visceral revela-se, no fim de contas, muito bem enquadrado.
O conteúdo apresenta-se desenvolvido duma forma extremamente subtil e eficaz - num texto de tão pequena dimensão, percorres magistralmente duas realidades: as "palavras" e as entranhas, sem que a raia que as separa (ou une) seja abrupta. São, afinal, "ténues fronteiras".
Muito poético; muito, muito bonito!

 
At sexta-feira, 17 fevereiro, 2006, Blogger nunojudas said...

Muitos parabens. Adorei

 
At sexta-feira, 17 fevereiro, 2006, Blogger *junik* said...

O: paralisada... simplesmente brutal

 
At terça-feira, 16 maio, 2006, Anonymous isabel said...

É quando fico fraca, que me sinto mais forte...
Todos deviamos procurar o nosso eu verdadeiro, o nosso eu feio, visceral... Só assim nos podemos tornar mais autênticos para nós próprios e para os outros!
Emocionei-me...

 
At quarta-feira, 09 agosto, 2006, Blogger  said...

és lindo, miguito.. mts parabéns :)

 

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